Vinte anos de acordos na CAIXA: quando o empregado perdeu, quando ganhou
Relatório final sobre salário, PLR, Saúde CAIXA e cláusulas de trabalho entre as campanhas de 2006 e 2026, com o resultado do banco ao lado de cada decisão.
Data de corte: 10 de setembro de 2026. Série salarial fechada: 2006 a 2025. Edição: relatório final consolidado a partir do estudo documental (65 entradas catalogadas) com lacunas preenchidas por fontes públicas adicionais. Relatório independente. Não é comunicado da CAIXA, dos sindicatos, nem parecer jurídico.
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O veredito em uma página
Entre 2006 e 2015 o empregado da CAIXA ganhou: nove campanhas seguidas com reajuste acima da inflação, PLR sem teto sobre o total e parcela fixa crescendo acima do IPCA. A partir de 2016 a história muda. Três campanhas com perda real (2016, 2020 e 2022), três endurecimentos sucessivos dos limites da PLR (2018, 2020 e 2022), um teto estatutário para o gasto do banco com saúde (2017) e um custeio do Saúde CAIXA que passou de 2% para 3,5% mais dependentes. No mesmo intervalo, o lucro contábil do banco foi de cerca de R$ 4 bi para R$ 16 bi.
A faixa abaixo resume o saldo de cada campanha para o empregado. Cada bloco leva ao detalhamento do ano. Verde é ganho, vermelho é perda, âmbar é saldo misto, cinza é estabilidade e o bloco tracejado é a campanha em curso.
Ganho real acumulado do salário-padrão pelo IPCA, 2006 a 2025 (+20,18% pelo INPC).
Quase todo esse ganho foi construído até 2015: +18,74% em 2006-2015 e +0,55% em 2016-2025.
-3,6%
Efeito permanente das três campanhas com perda real (2016, 2020, 2022) sobre a base salarial, pelo INPC.
Perda que se repete todo mês, porque abono não recompõe salário.
x 6,7
Crescimento nominal do lucro líquido contábil da CAIXA entre 2006 (R$ 2,4 bi) e 2025 (R$ 16,1 bi). Em termos reais, cerca de x 2,3.
O salário-padrão cresceu x 3,55 nominal e x 1,19 real no mesmo período.
3
Endurecimentos dos limites da PLR: teto agregado de 15,25% e adiantamento de 50% (2018), 15% e três remunerações (2020), base trocada para lucro líquido (2022).
Em 2022 e 2024 a PLR total noticiada ficou entre 12% e 17% do lucro contábil, sinal de que o teto de 15% é operante.
2% → 3,5%
Contribuição do titular do Saúde CAIXA (2006 contra 2021), com coparticipação de 20% para 30% e teto anual de R$ 1.200 para R$ 3.600.
Em 2017 o Estatuto limitou o gasto patronal a 6,5% da folha. Em 2026 o plano é o centro da greve.
O índice salarial usa os reajustes gerais do salário-padrão. Não inclui promoções, funções, PCS, benefícios, PLR ou descontos. O lucro usa o resultado contábil divulgado por ano, com as ressalvas da seção 3.
2
Salário: o poder de compra campanha a campanha
Nas vinte campanhas, dezessete tiveram reajuste igual ou acima do INPC. As três exceções deixaram marca permanente. Como a inflação usada é a da janela de setembro a agosto, cada barra mostra o que a data-base fez com o poder de compra daquele ano.
Ganho ou perda real do reajuste, por campanha
Taxa real = (1 + reajuste) ÷ (1 + inflação) − 1, inflação acumulada de setembro do ano anterior a agosto da campanha. Barras pelo INPC, traço preto pelo IPCA. Fontes: 222423.
Índice acumulado: salário-padrão contra a inflação
Base 100 imediatamente antes da campanha de 2006. A área verde é a distância acumulada entre o salário-padrão e o IPCA. Depois de 2015 essa distância oscila em torno do mesmo patamar: o que foi ganho em uma campanha é devolvido na seguinte.
Dois períodos, duas histórias
De 2006 a 2015 o salário-padrão ganhou +18,74% sobre o IPCA. De 2016 a 2025, +0,55%. A regra dos acordos bienais, com INPC mais 1% real no segundo ano (2017 e 2019) e depois INPC mais 0,5% ou 0,6% (2021, 2023, 2025), protegeu contra a inflação mas trocou a negociação anual por um ganho real pré-fixado e pequeno. Nos anos de primeira rodada dos acordos bienais (2016, 2020 e 2022), o reajuste ficou abaixo do INPC.
Os abonos de R$ 3.500 (2016) e R$ 2.000 (2020) suavizaram o ano, não a carreira. Uma perda real de 1,48% incorporada em 2016 continua descontando 1,48% do salário em 2026. Somadas, as três perdas deixam a base salarial 3,6% abaixo de onde estaria se a inflação tivesse sido apenas reposta nesses três anos. Os ganhos das demais campanhas mais do que compensam esse efeito no acumulado, mas não apagam o fato de que a última década quase não trouxe ganho real. 2224
Série completa
Campanha
Reajuste
INPC 12m
IPCA 12m
Real INPC
Real IPCA
Observação
2006
3,50%
2,85%
3,84%
+0,63%
-0,33%
Reajuste geral. Abonos e PLR não incorporados ao índice.
2007
6,00%
4,82%
4,18%
+1,13%
+1,75%
A PLR da CAIXA usa valores fixos por grupo neste exercício. Não aplicar fórmula de anos seguintes.
2008
10,00%
7,15%
6,17%
+2,66%
+3,61%
CAIXA: 10% no salário-padrão (cl. 38). Algumas funções/pisos de mercado: 8,15%. Fenaban tinha faixas distintas.
2009
6,00%
4,44%
4,36%
+1,49%
+1,57%
Abono CAIXA de R$ 700 excluído do índice permanente.
2010
7,50%
4,29%
4,49%
+3,08%
+2,88%
CAIXA: 7,5% geral. ESU teve piso de R$ 1.600 e R$ 39 adicionais nas demais referências. Efeito do valor fixo não incorporado neste índice.
2011
9,00%
7,40%
7,23%
+1,49%
+1,65%
INPC de agosto = 7,40%. Não 7,43%. Íntegra do ACT geral da CAIXA não validada.
2012
7,50%
5,39%
5,24%
+2,00%
+2,15%
Reajuste geral divulgado. Não inclui progressões, promoções nem vantagens individuais.
2013
8,00%
6,07%
6,09%
+1,82%
+1,80%
Reajuste geral divulgado. Não inclui progressões, promoções nem vantagens individuais.
2014
8,50%
6,35%
6,51%
+2,02%
+1,87%
Reajuste geral divulgado. Não inclui progressões, promoções nem vantagens individuais.
2015
10,00%
9,88%
9,53%
+0,11%
+0,43%
Reajuste geral divulgado. Não inclui progressões, promoções nem vantagens individuais.
2016
8,00%
9,62%
9,97%
-1,48%
-1,79%
8% e abono de R$ 3.500. O abono não incorpora reposição à base salarial.
2017
2,75%
1,73%
2,46%
+1,00%
+0,28%
Segundo ano do acordo: INPC + 1% real, composição multiplicativa, arredondada para 2,75%.
2018
5,00%
3,64%
4,19%
+1,31%
+0,78%
Reajuste geral divulgado. Não inclui progressões, promoções nem vantagens individuais.
2019
4,31%
3,28%
3,43%
+1,00%
+0,85%
Segundo ano: INPC + 1% real, arredondado para 4,31%.
2020
1,50%
2,94%
2,44%
-1,40%
-0,92%
1,5% e abono de R$ 2.000. Abono excluído do índice permanente.
2021
10,97%
10,42%
9,68%
+0,50%
+1,18%
Segundo ano: INPC + 0,5% real, reajuste divulgado de 10,97%.
2022
8,00%
8,83%
8,73%
-0,76%
-0,67%
Salários: 8%. Parâmetros da PLR têm regras distintas, inclusive INPC e 13% na parcela adicional.
2023
4,58%
4,06%
4,61%
+0,50%
-0,03%
INPC + 0,5% real. Arredondamento divulgado de 4,58%. Levemente abaixo do IPCA.
2024
4,64%
3,71%
4,24%
+0,90%
+0,38%
4,64%: não confundir com o valor já atualizado das parcelas monetárias da PLR.
2025
5,68%
5,05%
5,13%
+0,60%
+0,52%
5,68% divulgado. Composição de INPC + 0,6% real. Usado o percentual publicado, não 5,65% por soma.
Linhas em vermelho: perda real pelo INPC. Em 2006 e 2023 houve perda apenas pelo IPCA, de 0,33% e 0,03%. Em 2008, gratificações e pisos de mercado receberam 8,15% e não os 10% do salário-padrão. Em 2010, o índice não captura o piso de R$ 1.600 da ESU nem os R$ 39 adicionais.
3
O resultado do banco e a recompensa do empregado
A pergunta do relatório é direta: o bom trabalho foi pago? A resposta tem duas metades. Até 2015 o lucro triplicou (R$ 2,4 bi para R$ 7,2 bi) e o empregado acompanhou, com ganho real de 18,7% no salário e parcela fixa da PLR subindo 33% acima do IPCA. De 2016 a 2025 o lucro quase quadruplicou de novo (R$ 4,1 bi para R$ 16,1 bi) e o salário-padrão ficou parado em termos reais, enquanto a PLR passou a ter teto sobre o total, teto individual e base menor.
Lucro líquido contábil da CAIXA por exercício, com a PLR total quando noticiada
Valores nominais em R$ bilhões. Barras hachuradas foram derivadas das variações percentuais divulgadas no ano seguinte (2007, 2010, 2016). O ano de 2009 não foi localizado nesta edição. Traços laranja marcam o lucro recorrente quando divulgado. Os anos de 2017, 2019 e 2021 têm efeitos extraordinários registrados pelo próprio banco. Fontes: 44 a 61.
Quanto cada coisa cresceu entre 2006 e 2025, em termos nominais
Lucro de 2006 (R$ 2,386 bi) a 2025 (R$ 16,1 bi). Salário-padrão pelo produto dos reajustes gerais. Inflação pelas janelas de data-base. Deflacionando pelo IPCA: lucro x 2,3, salário-padrão x 1,19.
Três cautelas antes de tirar conclusões
Primeira: o lucro contábil de alguns anos foi inflado por eventos não recorrentes. Em 2017, a CAIXA reconhece efeito extraordinário de reversão de provisão atuarial de benefício pós-emprego, que artigo sindical relaciona ao teto de 6,5% imposto ao plano de saúde e estima em cerca de R$ 5 bi. Em 2019, R$ 15,5 bi vieram de venda de ativos. Em 2021, houve ganho com o IPO da Caixa Seguridade. 52535557
Segunda: crescimento do lucro não chega automaticamente à PLR. Com teto agregado de 15%, teto individual de três remunerações, limite ligado aos dividendos e parcela fixa em reais, um lucro maior pode não mover o pagamento individual. A seção 4 mostra como esses freios se acumularam. 17181938
Terceira: o quadro de pessoal encolheu. Ao fim de 2023 eram 86.962 empregados. Em junho de 2025, a análise sindical do balanço registra 2.619 postos a menos em doze meses e 122 agências fechadas no semestre, com 5 milhões de clientes a mais. Lucro maior com menos gente significa mais resultado por empregado, o que torna mais relevante a pergunta sobre a divisão desse resultado. 6364
A relação PLR/lucro só pode ser calculada nos dois anos com total noticiado. Em 2022 fica entre 12% e 17% do lucro contábil conforme o total adotado. Em 2024, 14,8%. Ambos na vizinhança do teto contratual de 15%, o que sugere teto operante, sem provar quanto deixou de ser distribuído. 363742
4
PLR: a escada de limitadores
Nenhum ACT reduziu a PLR com um corte explícito. O que aconteceu foi uma sequência de tetos, cada um justificável isoladamente, cujo efeito conjunto é impedir que o crescimento do lucro se converta em crescimento proporcional da PLR. A cronologia abaixo mostra apenas mudanças conferidas em documento ou em relato identificado.
2006
Sem teto sobre o total
Remissão à CCT Fenaban sem limitação do valor apurado, mais R$ 1.339 de programa próprio. 2
2007
Valores fixos por grupo
R$ 4.100 e R$ 4.362,84 por grupo, mais R$ 600 condicionados. Muda a distribuição, não cria teto global. 4
2009–2010
Tetos por componente
Regra básica de 90% + R$ 1.024, adicional de 2% do lucro, majoração e limites monetários por parcela. Social de 4% em 2010. 79
2016–2017
Estrutura sem teto global
Regra básica, adicional, Social e adiantamento de 60%. A fórmula conferida não contém teto sobre a soma. 15
2018
Teto agregado de 15,25%
Soma de todas as parcelas limitada a 15,25% do lucro líquido ajustado. Adiantamento cai para 50%. 17
2020
15% e três remunerações
Teto agregado cai para 15% do lucro ajustado. Máximo individual de três remunerações-base. 18
2022
Base trocada
O teto de 15% passa a referir o lucro líquido (após a PLR). Mesma taxa sobre base menor. Devoluções em 2023. 1936
2023–2024
Adiantamentos contidos
Limite vinculado aos dividendos devidos à União (SEST). Adiantamentos calculados com 26% e 28% da remuneração-base, contra 45% possíveis. 3840
2025
Sinal de alívio
Norma do governo federal abre caminho para PLR maior (reportagem). Efeito nos pagamentos de 2026 ainda não conciliado. 42
Por que a troca de base em 2022 importa
Se o lucro antes da PLR é A, um teto de 15% de A permite pagar 0,15A. Se o teto passa a incidir sobre o lucro líquido depois da PLR, a conta fica P ≤ 0,15 × (A − P), ou seja, P ≤ 0,1304A. O mesmo número de 15% vale 13% menos. Esse é o cálculo algébrico, não uma medida da perda de 2022, que exigiria a ponte contábil completa. 19
O limite que não está no ACT
Em setembro de 2023, ao explicar o adiantamento, a CAIXA descreveu à representação dos empregados um segundo limite, administrado pela Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (SEST): a PLR não pode superar uma fração dos dividendos devidos à União, calculada sobre o lucro projetado do ano. Naquele ano a SEST ampliou a referência de 25% para 75% dos dividendos, o que permitiu distribuir R$ 716 mi de adiantamento a 85.901 empregados. Em 2023 e 2024 o banco calculou o adiantamento com 26% e 28% da remuneração-base, quando o ACT permite até 45%, alegando prudência após as devoluções de 2022. Em setembro de 2025, reportagem noticia norma do governo federal que abre caminho para PLR maior. 38394042
O que ganhou dentro da PLR
A parcela fixa da regra básica saiu de R$ 1.024 em 2009 para R$ 2.183,53 em 2016, ganho real de cerca de 33% sobre o IPCA nas janelas correspondentes, e chegou a R$ 3.343,04 no ACT de 2024. A parcela Social de 4% do lucro, distribuída de forma linear, existe desde 2010 e beneficia proporcionalmente os salários menores. A parcela adicional subiu de 2% para 2,2% do lucro, com teto individual de R$ 6.942,28 em 2024. 715204112
5
Saúde CAIXA: de 2% a 3,5%, com teto para o banco
O custeio do plano é o item em que o empregado mais perdeu de forma cumulativa. A contribuição do titular subiu, a coparticipação subiu, o teto anual triplicou e, a partir de 2017, o Estatuto limita o quanto o banco pode gastar. Quando a despesa assistencial cresce mais que a folha, a pressão vai para o beneficiário. Em 2026 esse desenho está no centro da greve.
2006
2% + 20% + R$ 1.200
Contribuição de 2% da remuneração-base para o grupo familiar, coparticipação de 20%, teto anual de coparticipação de R$ 1.200. 1
2007
Teto R$ 1.780
Teto anual de coparticipação sobe 48% em relação a 2006. 3
2008
Teto R$ 2.400
Teto anual dobra em relação a 2006, com efeito em janeiro de 2008. 5
2017
Teto patronal 6,5% da folha
Estatuto da CAIXA limita o gasto patronal com o plano a 6,5% das folhas (relato Fenae). Origem extracontratual. 27
2018
Novos admitidos segregados
Admitidos após 31/8/2018: contribuição patronal não superior à pessoal e regras fora do contrato de trabalho. 16
2020–2021
Reinclusão e 3,5%
Empregados segregados voltam ao plano. Titular passa a 3,5% + 0,4% por dependente (limite de 0,8%), coparticipação de 30%, teto anual de R$ 3.600, 13ª mensalidade (relatos). 283132
2023
Novo custeio aprovado
Aprovação em bases Contraf com efeitos em 2024. Rejeição na CONTEC (61%). 3334
2025
Minuta CONTEC
3,5% + R$ 480 por dependente, teto familiar de 7%, 13ª mensalidade, limite patronal de 70% ou 6,5% da folha, o menor. Não assinada. 21
2026
Proposta rejeitada, greve
Duas propostas do banco rejeitadas por transferir custo ao beneficiário. Déficit projetado de R$ 743 mi a R$ 780 mi e aporte proposto de R$ 543 mi (relato). 6673
Leitura do desenho
Um teto patronal de 6,5% da folha não é uma cobrança, é um limite de responsabilidade. Seu efeito aparece com o tempo: se a despesa assistencial cresce acima da folha, o plano precisa de contribuição maior dos usuários, uso de reservas ou renegociação. O relato de déficit projetado de R$ 743 mi a R$ 780 mi em 2026, com aporte extraordinário proposto de R$ 543 mi, é coerente com esse mecanismo, mas vem de fonte sindical de uma base e não foi conciliado com demonstrações do plano. 277366
O que o titular paga hoje, na regra relatada
Contribuição de 3,5% da remuneração-base, acrescida de parcela por dependente, coparticipação de 30% com teto anual de R$ 3.600 e uma 13ª mensalidade. Em 2006, o mesmo titular pagava 2%, com coparticipação de 20% e teto de R$ 1.200. Para uma família com dois dependentes, a contribuição mensal em percentual do salário mais que dobrou. Os valores exatos dependem do aditivo aplicável a cada base e não foram certificados nesta edição. 28311
6
Outras cláusulas: o que mudou fora do salário
Horas extras integrais
2013 e 2018
Pagamento integral das horas extraordinárias em agências com até 15 empregados a partir de janeiro de 2014, ampliado para até 20 empregados no ACT de 2018. 1116
PLR Social
2010
Parcela de 4% do lucro distribuída de forma linear, o que beneficia proporcionalmente os salários menores. Condicionada a indicadores de programas de governo desde a origem. Em 2026, sindicato de BH relata cobrança judicial de diferenças de 2020 e 2022. 935
Abonos de 2009, 2016 e 2020
2009, 2016, 2020
R$ 700, R$ 3.500 e R$ 2.000. Dinheiro no bolso no ano, sem recompor a base salarial. Nos dois anos de perda real, o abono foi a contrapartida à perda permanente. 622
Auxílio-creche
2010
Coorte nascida a partir de setembro de 2010: R$ 261,33 por mês até 71 meses. Coorte anterior: R$ 223,55 até 83 meses. Valor maior, duração menor. 8
Compensação em ações de 7ª e 8ª hora
2018
Cláusula 9 do ACT 2018-2020: gratificação de função compensada com horas extras reconhecidas judicialmente, para ações a partir de 1º/12/2018. Reduz o resultado econômico potencial da demanda. 16
Acordos bienais
desde 2016
A partir de 2016 os acordos passam a vigorar por dois anos, com reajuste automático no segundo ano (INPC + ganho real pré-fixado). Dá previsibilidade e reduz as janelas de negociação. 1516
7
Ano a ano
Cada campanha com seu saldo, os ganhos e as perdas documentados, o resultado do banco no exercício e a ressalva que limita a conclusão. "Perda" significa perda real de salário ou introdução de regra que reduz direito ou aumenta custo. "Ganho" significa ganho real ou ampliação de direito. "Misto" quando os dois coexistem com peso comparável.
2006
Estável
reajuste 3,50% real INPC +0,63% real IPCA -0,33%
Ponto de partida: salário, PLR sem teto agregado e Saúde CAIXA a 2%
Ganhos
PLR remete à CCT Fenaban sem limitação do valor apurado e soma R$ 1.339 de programa próprio da CAIXA.
Reajuste de 3,5% supera o INPC da janela (2,85%).
Perdas e riscos
O reajuste fica abaixo do IPCA (3,84%): perda real de 0,33% por esse índice.
Regra de referência
Saúde CAIXA: 2% da remuneração-base para o grupo familiar, coparticipação de 20%, teto anual de R$ 1.200.
Resultado do banco no exercício: R$ 2,39 bi, recorde na época.
Ano-base da comparação, não a origem dos benefícios. Regras anteriores a 2006 não foram examinadas. 1244
2007
Ganho
reajuste 6,00% real INPC +1,13% real IPCA +1,75%
Reajuste de 6% após sete dias de greve, PLR passa a valores fixos por grupo
Ganhos
6% contra inflação de 4,82% (INPC) e 4,18% (IPCA): ganho real de 1,1% a 1,7%.
PLR em valores fixos: R$ 4.100 e R$ 4.362,84 conforme o grupo, mais adicional condicionado de R$ 600. Valores fixos favorecem os salários menores.
Perdas e riscos
Teto anual de coparticipação do Saúde CAIXA sobe de R$ 1.200 para R$ 1.780: maior exposição máxima do titular.
Resultado do banco no exercício: ≈ R$ 2,4 bi (derivado da variação divulgada em 2008).
A aprovação após greve consta em relato sindical de São Paulo. A troca de fórmula por valores fixos muda a distribuição entre faixas salariais. 3426
2008
Ganho
reajuste 10,00% real INPC +2,66% real IPCA +3,61%
Maior reajuste nominal do período no salário-padrão
Ganhos
10% no salário-padrão (cláusula 38), contra INPC de 7,15% e IPCA de 6,17%: ganho real de 2,7% a 3,6%.
Lucro do banco cresce 62%, para R$ 3,9 bi.
Perdas e riscos
Determinadas gratificações e pisos de mercado recebem 8,15%, não 10%.
Teto anual de coparticipação vai a R$ 2.400, o dobro do valor de 2006, com efeito em janeiro de 2008.
Resultado do banco no exercício: R$ 3,9 bi (+62,3%).
O ACT de PLR de 2008 localizado é uma versão CONTEC em DOC, não lida. A regra Contraf de PLR deste ano não foi validada. 545
2009
Ganho
reajuste 6,00% real INPC +1,49% real IPCA +1,57%
Ganho real, abono de R$ 700 e nova arquitetura da PLR
Ganhos
6% contra INPC de 4,44%: ganho real de 1,5%.
Abono de R$ 700 (efeito de caixa, sem incorporar ao salário).
PLR com regra básica de 90% da remuneração mais R$ 1.024, parcela adicional de 2% do lucro e regras de majoração.
Perdas e riscos
A nova estrutura já traz tetos monetários por componente. Não são o teto agregado de 2018, mas são limites.
Resultado do banco no exercício: Não localizado nesta edição.
Os limites de 2009 incidem sobre parcelas específicas. Não confundir com o teto sobre a soma de todas as parcelas, criado em 2018. 67
2010
Ganho
reajuste 7,50% real INPC +3,08% real IPCA +2,88%
Melhor ganho real da série, PLR Social e piso da ESU
Ganhos
7,5% contra INPC de 4,29%: ganho real de 3,1%, o maior de todo o período.
Piso de R$ 1.600 na ESU e R$ 39 adicionais nas demais referências, fora do percentual.
PLR Social de 4% do lucro, distribuída linearmente, presente no ACT.
Auxílio-creche: nova coorte recebe R$ 261,33 por mês, contra R$ 223,55.
Perdas e riscos
Auxílio-creche: para nascidos a partir de setembro de 2010, a cobertura cai de 83 para 71 meses.
A PLR Social já nasce condicionada a indicadores de programas de governo.
Resultado do banco no exercício: ≈ R$ 3,8 bi (derivado da variação divulgada em 2011).
A redução de meses do auxílio-creche vem com valor mensal maior. O saldo individual depende da idade da criança e da referência salarial. 89
2011
Ganho
reajuste 9,00% real INPC +1,49% real IPCA +1,65%
Reajuste de 9% com inflação de 7,4%
Ganhos
9% contra INPC de 7,40% e IPCA de 7,23%: ganho real de 1,5% a 1,7%.
Lucro sobe 37,7%, para R$ 5,2 bi.
Perdas e riscos
Nenhuma perda específica confirmada.
Resultado do banco no exercício: R$ 5,2 bi (+37,7%).
A íntegra do ACT geral e do ACT de PLR de 2011 não foi validada. O link da Contraf rotulado como PLR 2011 abre o documento de 2012. 22242546
2012
Ganho
reajuste 7,50% real INPC +2,00% real IPCA +2,15%
Reajuste de 7,5% e estrutura de negociação preservada
Ganhos
7,5% contra INPC de 5,39% e IPCA de 5,24%: ganho real de 2,0% a 2,1%.
Lucro recorde de R$ 6,1 bi (+17%).
Perdas e riscos
Nenhuma perda específica confirmada.
Resultado do banco no exercício: R$ 6,1 bi (+17%).
ACT geral e ACT de PLR localizados, lidos tematicamente. Não foi feita comparação cláusula a cláusula com 2011. 1047
2013
Ganho
reajuste 8,00% real INPC +1,82% real IPCA +1,80%
Reajuste de 8% e pagamento integral de horas extras nas agências pequenas
Ganhos
8% contra INPC de 6,07%: ganho real de 1,8%.
Pagamento integral das horas extras nas agências com até 15 empregados, a partir de janeiro de 2014.
PLR: parcela adicional de 2,2% do lucro e Social de 4%.
Perdas e riscos
Nenhuma perda específica confirmada.
Resultado do banco no exercício: R$ 6,7 bi (+19,2% sobre o resultado ajustado de 2012).
Não foi estabelecida a data de origem de todas as disposições presentes no ACT de 2013. 111248
2014
Ganho
reajuste 8,50% real INPC +2,02% real IPCA +1,87%
Reajuste de 8,5% e parcela fixa da PLR em R$ 1.837,99
Ganhos
8,5% contra INPC de 6,35%: ganho real de 2,0%.
Parcela fixa da regra básica da PLR chega a R$ 1.837,99 (era R$ 1.024 em 2009). Antecipação contratual de 60%.
Perdas e riscos
Nenhuma perda específica confirmada.
Resultado do banco no exercício: R$ 7,1 bi (+5,5%).
A parcela fixa não é a PLR total. Tetos monetários e condições de majoração continuam em vigor. 1349
2015
Estável
reajuste 10,00% real INPC +0,11% real IPCA +0,43%
Reajuste de 10% que apenas acompanha a inflação
Ganhos
Parcela fixa da PLR atualizada para R$ 2.021,79, antecipação mantida em 60%.
Perdas e riscos
10% contra INPC de 9,88%: ganho real de apenas 0,11%. O número nominal alto esconde um empate.
Resultado do banco no exercício: R$ 7,2 bi (+0,9%).
Ano em que salário e lucro estagnam juntos em termos reais. 1450
2016
Perda
reajuste 8,00% real INPC -1,48% real IPCA -1,79%
Primeira perda real da série e primeiro acordo bienal
Ganhos
Abono de R$ 3.500, com efeito de caixa imediato.
Parcela fixa da PLR em R$ 2.183,53: a série 2009-2016 da parcela fixa acumula ganho real de cerca de 33% sobre o IPCA.
Perdas e riscos
8% contra INPC de 9,62% e IPCA de 9,97%: perda real de 1,5% a 1,8%, permanente na base salarial.
O abono não recompõe a base. A perda de 2016 é carregada para todos os anos seguintes.
Primeiro acordo de dois anos: reduz a frequência de renegociação.
Resultado do banco no exercício: ≈ R$ 4,1 bi (queda de cerca de 43%).
A fórmula de PLR lida para 2016-2017 ainda não contém o teto agregado nem o limite de três remunerações. 152451
2017
Misto
reajuste 2,75% real INPC +1,00% real IPCA +0,28%
Reajuste automático pequeno e teto estatutário de 6,5% da folha para o Saúde CAIXA
Ganhos
Segundo ano do acordo: INPC + 1% real, resultando em 2,75%. Ganho real de 1,0% pelo INPC.
Perdas e riscos
Teto de 6,5% das folhas para o custeio patronal do Saúde CAIXA, inserido no Estatuto da CAIXA em 2017 (relato Fenae). É a mudança estrutural de saúde mais importante do período.
O lucro salta para R$ 12,5 bi com efeito extraordinário de reversão de provisão atuarial de benefício pós-emprego, reconhecido pela própria CAIXA. Relato sindical estima esse efeito em cerca de R$ 5 bi.
Resultado do banco no exercício: R$ 12,5 bi contábil, R$ 8,5 bi recorrente (+202,6%).
O teto é alteração estatutária, não cláusula do ACT. A relação entre o teto e a reversão de provisão é relatada pela CAIXA como efeito extraordinário e, pelo sindicato, como origem de parte do lucro recorde. 27515253
2018
Perda
reajuste 5,00% real INPC +1,31% real IPCA +0,78%
Três mudanças estruturais contra o empregado, com dois ganhos pontuais
Ganhos
5% contra INPC de 3,64%: ganho real de 1,3%.
Pagamento integral de horas extras ampliado para agências com até 20 empregados.
Perdas e riscos
PLR: teto agregado de 15,25% do lucro líquido ajustado sobre a soma de todas as parcelas. Antes não existia teto sobre a soma.
PLR: adiantamento cai de 60% para 50%.
Jornada: compensação da gratificação de função com horas extras reconhecidas judicialmente, para ações a partir de 1º de dezembro de 2018 (cláusula 9).
Saúde CAIXA: admitidos após 31 de agosto de 2018 recebem regras distintas, com contribuição patronal não superior à pessoal e sem integração ao contrato de trabalho.
Resultado do banco no exercício: ≈ R$ 10,4 bi.
Um teto só reduz pagamento quando a fórmula sem teto o ultrapassaria. Os anos de 2022 e 2024 mostram totais próximos de 15% do lucro, sinal de que o limite é operante. 161754
2019
Estável
reajuste 4,31% real INPC +1,00% real IPCA +0,85%
Segundo ano do ACT de 2018, lucro recorde com venda de ativos
Ganhos
4,31% (INPC + 1%): ganho real de 1,0% pelo INPC.
Perdas e riscos
As regras de 2018 (tetos, adiantamento de 50%, compensação de jornada, saúde segregada) seguem em vigor.
Resultado do banco no exercício: R$ 21,1 bi contábil, R$ 14,7 bi recorrente. Inclui R$ 15,5 bi em venda de ativos, entre eles ações da Petrobras.
Lucro contábil inflado por venda de ativos não é base do teto contratual da PLR da mesma forma que o lucro recorrente. A PLR paga sobre 2019 não foi conciliada. 1755
2020
Perda
reajuste 1,50% real INPC -1,40% real IPCA -0,92%
Reajuste de 1,5% e endurecimento dos limites da PLR
Ganhos
Abono de R$ 2.000 (efeito de caixa).
Saúde CAIXA: empregados antes segregados voltam ao plano, com regras de custeio a partir de 2021 (relatos).
Perdas e riscos
1,5% contra INPC de 2,94%: perda real de 1,4%, permanente na base.
PLR: teto agregado cai de 15,25% para 15% do lucro ajustado.
PLR: limite individual explícito de três remunerações-base.
Resultado do banco no exercício: R$ 13,2 bi (-37,5%).
O ganho de acesso ao plano vem acompanhado de custeio pessoal maior. O ACT geral 2020-2022 não foi lido na íntegra. 1829302856
2021
Misto
reajuste 10,97% real INPC +0,50% real IPCA +1,18%
Reajuste de 10,97% e novo custeio do Saúde CAIXA
Ganhos
10,97% (INPC + 0,5%): recompõe a inflação de 10,42% e adiciona 0,5% real.
Perdas e riscos
Saúde CAIXA: contribuição do titular de 3,5% mais 0,4% por dependente (limite de 0,8%), coparticipação de 30% e teto anual de R$ 3.600 (relatos). Em 2006 eram 2%, 20% e R$ 1.200.
Aditivo de 2021 inclui a 13ª mensalidade do plano (relatos).
Resultado do banco no exercício: R$ 17,3 bi (+31%), com ganho do IPO da Caixa Seguridade.
A íntegra assinada do aditivo de saúde não foi validada. Os parâmetros vêm de notícias sindicais identificadas. 31322857
2022
Perda
reajuste 8,00% real INPC -0,76% real IPCA -0,67%
Salário abaixo da inflação e base do teto da PLR trocada
Ganhos
Parâmetros de PLR recebem tratamento melhor em itens pontuais, como 13% no teto da parcela adicional.
Perdas e riscos
8% contra INPC de 8,83%: perda real de 0,8%, permanente na base.
PLR: o teto de 15% passa a incidir sobre o lucro líquido (após a própria PLR), e não mais sobre o lucro ajustado antes da PLR. Em álgebra simples, o mesmo 15% vale cerca de 13% menos.
Adiantamento de 50% garantido sobre lucro projetado de cerca de R$ 13 bi. O lucro realizado foi R$ 9,8 bi, o que gerou devoluções em 2023.
Resultado do banco no exercício: R$ 9,8 bi (-43%).
A troca de base é contratual e comprovada. O prejuízo individual exato exige recalcular cada empregado com as duas regras sobre o mesmo lucro. 195838
2023
Misto
reajuste 4,58% real INPC +0,50% real IPCA -0,03%
Devoluções de PLR, adiantamento reduzido e novo custeio de saúde
Ganhos
4,58% (INPC + 0,5%): ganho real de 0,5% pelo INPC.
Adiantamento da PLR de 2023 pago em setembro: R$ 716 mi para 85.901 empregados, média de R$ 8.327.
Perdas e riscos
Devoluções da PLR de 2022 por 1.306 empregados, após a aplicação dos redutores (relato SP).
Adiantamento calculado com 26% da remuneração-base, quando o ACT permite até 45% (relato Apcef/SP).
Limite extra ligado aos dividendos devidos à União, administrado pela SEST, condiciona o adiantamento. Em 2023, a SEST elevou a referência de 25% para 75% dos dividendos (relato).
Pelo IPCA (4,61%), o reajuste fica 0,03% abaixo da inflação.
Resultado do banco no exercício: R$ 11,7 bi contábil, R$ 10,6 bi recorrente.
O novo custeio do Saúde CAIXA foi aprovado em bases Contraf e rejeitado na CONTEC. Total anual da PLR de 2023 não conciliado. 3637383940333459
2024
Ganho
reajuste 4,64% real INPC +0,90% real IPCA +0,38%
Ganho real pequeno e PLR próxima do teto de 15%
Ganhos
4,64% contra INPC de 3,71%: ganho real de 0,9%.
PLR do exercício: cerca de R$ 2 bi, média de R$ 24 mil, faixa de R$ 10,7 mil a R$ 38,5 mil (reportagem). Segunda parcela paga em 26/2/2025, antes do prazo.
Perdas e riscos
Adiantamento calculado com 28% da remuneração-base, abaixo dos 45% permitidos (relato).
Ambiguidade na atualização da parcela fixa: o ACT registra R$ 3.343,04 com referência a reajuste de 4,64%. Não é prova de pagamento a menor.
Resultado do banco no exercício: R$ 13,5 bi contábil, R$ 14,0 bi recorrente.
R$ 2 bi equivalem a 14,8% do lucro contábil, ordem de grandeza compatível com o teto de 15%. Isso não mede quanto deixou de ser distribuído. 2042414060
2025
Ganho
reajuste 5,68% real INPC +0,60% real IPCA +0,52%
Ganho real de 0,6%, lucro recorde e quadro menor
Ganhos
5,68% (INPC + 0,6%): ganho real de 0,6%.
Norma do governo federal de setembro de 2025 abre caminho para PLR maior aos empregados (reportagem).
PLR do exercício creditada em 5/3/2026, um dia após o balanço.
Perdas e riscos
Quadro de pessoal com 2.619 postos a menos em 12 meses até junho de 2025 e 122 agências fechadas no semestre (análise sindical do balanço).
Minuta CONTEC do Saúde CAIXA 2025-2026: 3,5% + R$ 480 por dependente, teto familiar de 7%, 13ª mensalidade e limite patronal de 70% ou 6,5% da folha, o menor.
Resultado do banco no exercício: R$ 16,1 bi contábil, R$ 15,5 bi recorrente (+18,7%).
Minuta não é acordo assinado. O total da PLR de 2025 não foi conciliado. 234243216461
2026
Em aberto
campanha em curso
CCT assinada com ganho real, ACT da CAIXA rejeitado e greve desde 10 de setembro
Ganhos
CCT 2026/2028 assinada em 9/9: reposição integral do INPC mais 0,6% real em 2026 e 2027.
Mobilização retirou a proposta patronal de reajustes diferentes por faixa salarial e o congelamento do piso.
Perdas e riscos
Proposta específica da CAIXA rejeitada por 90% em SP, 93,5% em BH e 95,7% no CE. Greve por tempo indeterminado desde 10/9 em dezenas de bases.
Ponto central: Saúde CAIXA. Relato de dirigente sindical cita déficit projetado de R$ 743 mi a R$ 780 mi em 2026 e aporte extraordinário proposto de R$ 543 mi.
Sem ultratividade, nem a CCT anterior nem o ACT estão vigentes para os empregados da CAIXA na data de corte (posição do banco relatada).
Resultado do banco no exercício: Exercício em curso. Lucro recorrente do 1º trimestre: R$ 3,5 bi (relato).
Registro de situação em 10/9/2026. Negociações retomadas em 9/9. Nenhum reajuste de 2026 foi incorporado ao índice salarial. 65666768697071727374
8
O que esta edição preencheu e o que segue em aberto
Preenchido nesta edição
Série anual do lucro líquido contábil de 2006 a 2025: 16 anos com fonte direta, 3 derivados de variação divulgada (2007, 2010, 2016), 1 não localizado (2009). Lucro recorrente para 2017, 2019, 2023, 2024 e 2025.
Adiantamento da PLR de 2023: R$ 716 mi, 85.901 empregados, média de R$ 8.327, com a explicação do limite ligado aos dividendos (SEST).
Adiantamentos de 2023 e 2024 calculados com 26% e 28% da remuneração-base, contra 45% permitidos.
Quadro de pessoal: 86.962 empregados ao fim de 2023 e 2.619 postos a menos em doze meses até junho de 2025.
Nota da própria CAIXA sobre o efeito extraordinário de 2017 (reversão de provisão atuarial de benefício pós-emprego).
Situação da campanha de 2026 na data de corte: CCT 2026/2028 assinada com INPC + 0,6%, ACT da CAIXA rejeitado por mais de 90% e greve desde 10/9, com o Saúde CAIXA como ponto central.
Ainda em aberto
PLR total efetivamente paga por exercício de 2006 a 2021, 2023 e 2025. Sem essa série não há como medir a PLR real por empregado ao longo dos vinte anos.
Lucro líquido de 2009 e confirmação direta dos valores derivados de 2007, 2010 e 2016.
Íntegra validada dos ACTs gerais da CAIXA de 2011, 2016, 2020, 2022 e 2024, e da PLR de 2008 e 2011 na versão Contraf.
Aditivos assinados do Saúde CAIXA de 2021 e 2023, e as demonstrações do plano que sustentam o déficit relatado em 2026.
Texto da norma governamental de setembro de 2025 sobre a PLR e sua aplicação ao exercício de 2025.
Desfecho da campanha de 2026: reajuste, PLR e custeio de saúde que serão de fato assinados.
Ausência de dado não significa ausência de pagamento. Valor derivado de variação percentual é uma aproximação com arredondamento da fonte. Os originais dos acordos não estão anexados. O programa de download do estudo original continua válido para recuperá-los.
9
Método e critérios de veredito
Cálculo
Inflação para salários: acumulado de setembro do ano anterior a agosto da campanha, IBGE, nos dois índices. Taxa real = (1 + reajuste) ÷ (1 + inflação) − 1. Acumulado pelo produto dos fatores anuais. Usados os reajustes divulgados com duas casas. O índice não inclui progressões, funções, benefícios, abonos, PLR ou descontos. O lucro é o contábil divulgado por ano, nominal, e a comparação real usa o IPCA das mesmas janelas por simplicidade, não o IPCA de dezembro a dezembro.
Evidência
Texto contratual: cláusula conferida no documento. Relato: notícia contemporânea ou retrospectiva, atribuída à entidade que a publicou. Cálculo: reproduzível a partir de números identificados. Hipótese: mecanismo possível sem prova de impacto. Fontes sindicais são centrais para o processo negocial, mas suas alegações sobre impacto econômico não são tratadas como demonstrações auditadas.
Como cada ano recebeu o veredito
Perda: reajuste abaixo do INPC, ou introdução de regra que reduz direito, cria teto ou aumenta custo do empregado, com peso maior que os ganhos do mesmo ano. Ganho: reajuste acima da inflação ou ampliação de direito, sem perda estrutural no mesmo ano. Misto: ganho e perda relevantes coexistindo (2017: ganho real pequeno e teto estatutário de saúde. 2021: reajuste acima da inflação e custeio de saúde maior. 2023: ganho real pequeno, devoluções e adiantamento contido). Estável: reajuste próximo da inflação sem mudança estrutural. O veredito é uma leitura do conjunto, não uma soma aritmética.
O que não foi classificado como perda
Prazo bienal por si só, atualização monetária de tetos, condição de elegibilidade e adiantamento menor não foram tratados como perda definitiva sem evidência do efeito. Alterações do Estatuto, resoluções governamentais e mudanças contábeis foram atribuídas a suas fontes, não ao ACT. Não há avaliação de intenção dos negociadores.
10
Fontes
O número ao lado de cada afirmação remete à entrada abaixo. Instrumentos coletivos são citados pelo link público do acervo em que foram localizados. Documentos não lidos na íntegra estão descritos como tal no estudo documental de origem.